Beyond the Dark Portal

ATENÇÃO: esta resenha contém informações reveladoras sobre o enredo de “Beyond the Dark Portal”.

 

Beyond the Dark Portal poderia ser intitulado “Tides of Darkness parte II”. Nesse livro, a queda da Horde na Segunda Guerra, dramatizada no romance anterior, torna-se somente um revés ao poderio de um mundo guerreiro que se recusa a declarar derrota. Com a reabertura do Dark Portal, as forças da Alliance precisarão exumar a Segunda Guerra, para, de uma vez por todas, vencer a necromancia da Horde e impedir a destruição não somente de Azeroth, berço da humanidade, mas de todo o universo. Dessa vez, a Horde descobrirá o verdadeiro significado de resistência, na medida em que agora a Segunda Guerra acontecerá em seu próprio mundo — Draenor.

Nesta resenha na série Warcraft, atentaremos às transformações pelas quais a civilização dos orcs passou nos anos que circunscrevem sua unificação e as três sucessivas grandes guerras protagonizadas por eles, numa série de tramas que vão de seu apogeu à sua queda, para identificarmos as mudanças mentais ocorridas no seio dessa cultura e, com efeito, questionar o carácter guerreiro da Horde. Nesse percurso, será necessário identificar esse caráter como o elemento fundante da cultura dos orcs, para vislumbrarmos as possíveis rupturas e permanências no conjunto de crenças e ideais que a constituem e, desse modo, caracterizam a Orcish Horde. Com isso, será possível compreender o processo de desvanecimento de uma civilização guerreira nobre, que culmina, em Beyond the Dark Portal, numa colcha de retalhos de orcs, por meio da qual há a propagação de pura violência e banho de sangue. Será que lutar somente por amor à violência caracteriza uma sociedade como guerreira? Há um valor em guerrear? Continuar lendo “Beyond the Dark Portal”

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Tides of Darkness

ATENÇÃO: esta resenha contém informações reveladoras sobre o enredo de “Tides of Darkness”.

 

Em nossa quarta resenha de Warcraft, inseridos na guerra entre Orcs vs. Humans, vamos nos aventurar em um dos maiores conflitos da história de Azeroth: a Segunda Guerra. Nesta luta de dimensões globais, as diferentes nações e povos mobilizaram-se para impedir o avanço de um inimigo em comum: a Orcish Horde. No clima de batalhas que envolveram todas as nações da humanidade para proteger o mundo contra seus invasores, Aaron Rosenberg apresenta-nos um enredo em ebulição do começo ao fim, como um caldeirão cheio de elementos mágicos e fantásticos.

Neste embate entre a humanidade e os orcs, iniciado com a invasão do mundo por esses seres alienígenas e pela destruição do Reino de Azeroth na Primeira Guerra — desenvolvido no romance anterior e analisado na resenha The Last Guardian –, os orcs decidiram, depois de vencer a Primeira Guerra, rumar para o Norte e dominar todo o mundo. Vimos que, em meio a essa luta, Medivh, Garona, Khadgar e Anduin Lothar protagonizaram uma trama que proporcionou o desenvolvimento de reflexões sobre problemas filosóficos fundamentais, como questões sobre a realidade e sobre liberdade e determinismo. Agora, liderados por Orgrim Doomhammer, não mais sob o comando injusto de Blackhand e de Gul’dan, a Horde busca conquistar o mundo de modo que seu povo possa, finalmente, deixar de lado as guerras e prosperar honradamente nesse novo mundo rico em provisões e em terras férteis — um profundo contraste em relação ao planeta infértil dos orcs. No entanto, Gul’dan e seus warlocks, apesar de jurarem sua lealdade a Doomhammer, continuaram a levar a efeito seus esquemas e subterfúgios.

Com efeito, deste embate entre justiça e injustiça temos no enredo um prato cheio para a compreensão de como, por diferentes meios, é possível levar a efeito o comando de um povo ou de uma nação. Doomhammer, Gul’dan, os monarcas humanos e das outras raças governam seus povos de maneiras muito diferentes. Na luta por supremacia, nem sempre as ações justas são capazes de vencer uma guerra. Há momentos em que parece ser necessário agir injustamente, tendo em vista a vitória e a supressão do inimigo. Apesar disso, para que seja possível realizar qualquer feito em geral, parece ser necessário haver algum nível, por mais tímido que ele possa ser, de justiça entre os indivíduos envolvidos em tal iniciativa. Mergulhados nesse caldeirão mágico e fantástico da Segunda Guerra em Azeroth, podemos formular a seguinte reflexão: será que a injustiça, de certo modo, é superior à justiça em uma luta por supremacia? Caso a injustiça será superior nesse contexto, será que é possível realizar efetivamente qualquer feito de modo completamente injusto? Continuar lendo “Tides of Darkness”